Ao menos um dos fenômenos tem sido registrado em várias partes do país. Mas qual a relação entre eles? Quais regiões são mais atingidas?

Queimadas, tempo seco, má qualidade do ar, "chuva preta" e temperaturas altas: várias regiões do Brasil têm sofrido com ao menos um desses problemas nos últimos dias. Mas como eles estão relacionados?

Há dois fatores principais que unem os fenômenos vistos no Brasil: as características atípicas da atual estação - bem mais seca e quente do que a média - e a ação do homem, responsável pelas queimadas que fazem a fumaça viajar sobre o país. 

Queimadas

As queimadas vêm atingindo, principalmente, dois dos biomas brasileiros: a Amazônia e o Pantanal. Nos dois casos, a origem do fogo são as ações humanas.

Só no Pantanal, onde equipes combatem as chamas há mais de um mês, especialistas calculam que ao menos 12% do ecossistema já foi destruído



No combate às chamas, ao menos um brigadista morreu: Welington Fernando, de 41 anos. Ele trabalhava como servidor do Instituto Chico Mendes de Preservação da Biodiversidade (ICMBio) e teve 80% do corpo queimado enquanto tentava salvar animais de um incêndio em Chapadão do Céu, sudoeste de Goiás.

A Mata Atlântica também sofre com o fogo. Desde o começo de setembro, 65 novos focos de queimadas aparecem por dia em São Paulo, 6 vezes mais que os registrados no mesmo período em 2019.

Ar poluído e chuva 'preta'

A fumaça das queimadas também contribuiu para a poluição do ar em várias partes do país e pôde ser vista, por exemplo, em Curitiba, segundo a Somar Meteorologia, a mais de mil quilômetros dos focos de incêndio no Pantanal.

Segundo imagens de satélite divulgadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a fumaça das queimadas, tanto na Amazônia como no Pantanal, se estendeu por mais de 3 mil km do território brasileiro.



No Rio Grande do Sul, moradores coletaram água de chuva "preta" depois que a fumaça das queimadas, que já haviam atingido Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, chegaram ao sul do país.

"Quando tem muita fumaça, ela proporciona essa chuva escura. Os aerossóis, como a fuligem de fumaça, servem como núcleos de condensação para as nuvens de chuva", explicou Catia Valente, da Somar Meteorologia.

Tempo seco

O tempo seco contribui para o alastramento das queimadas. Neste ano, o Pantanal enfrenta uma estiagem recorde: é o maior período de seca em 47 anos. Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) já apontavam que o La Niña, fenômeno cuja principal característica é o resfriamento do Atlântico, poderia causar uma seca histórica no bioma.

Com menor área inundada na planície pantaneira, há mais área para servir de "combustível" para o fogo. O vento também agrava o espalhamento dos incêndios.



O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) tem alertas de baixa umidade, com perigo de incêndio e riscos à saúde, nos seguintes estados e regiões:

  • Mato Grosso
  • Tocantins
  • Goiás
  • Distrito Federal
  • Quase todo o estado de São Paulo (exceto o litoral)
  • Sudeste e sudoeste do Pará
  • Norte de Mato Grosso do Sul
  • Oeste, sul e norte de Minas Gerais
  • Sudoeste, norte e oeste da Bahia, além da Chapada Diamantina
  • Centro-norte, sudeste e sudoeste do Piauí
  • Sertão, sul, Cariri, centrossul e Jaguaribe do Ceará
  • Sertão da Paraíba
  • Oeste, leste, sul e centro do Maranhão
  • Sertão de Pajeú e do Araripe de Pernambuco e São Francisco pernambucano
  • Centro e oeste do Rio Grande do Norte.

Segundo o Inmet, a umidade relativa do ar deve variar de 12% a 20% nesses locais.

Por causa dos baixos índices, o instituto pede que as pessoas bebam bastante líquido, mantenham a pele hidratada, evitem exposição ao sol nas horas mais quentes do dia, hidratem a pele e mantenham o ambiente umidificado. Atividades físicas não são recomendadas.

A ocorrência do La Niña contribui para o tempo seco no Sul do país, enquanto torna as chuvas mais frequentes no Norte e Nordeste: Acre, Amazonas e Roraima estão sob alerta de chauvas intensas, segundo o Inmet.

Temperaturas altas

Além do tempo seco, temperaturas acima da média têm sido vistas em várias partes do país.

Cuiabá bateu o recorde de calor em mais de 100 anos, registrando 42,7ºC no domingo (13). A capital mato-grossense também teve umidade do ar baixíssima: 7%.



No sábado (12), São Paulo registrou a tarde mais quente do ano, com 34,1ºC, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). A máxima superou os 33,7ºC registrados no dia 1º de janeiro. A temperatura está muito elevada para a época: segundo o CGE, a média das máximas para setembro é de 25,6ºC.

 

Via: G1

https://g1.globo.com/natureza/noticia/2020/09/14/queimadas-tempo-seco-ma-qualidade-do-ar-e-temperaturas-altas-veja-como-os-fenomenos-no-brasil-estao-relacionados.ghtml

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