Coronavírus: o encontro religioso que acelerou as contaminações na França

Coronavírus: o encontro religioso que acelerou as contaminações na França

13 de março de 2020 Off Por Rádio Vox Brazil


Contaminação foi acelerada no país Europeu após reunião religiosa, que atraiu cerca de 2 mil pessoas do país todo. A França teve mais de 2,3 mil casos de covid-19 registrados até agora
Ludovic Marin/AFP
Um evento evangélico no leste da França, que durou uma semana no mês fevereiro, contribuiu para disseminar o coronavírus em todo o país, segundo autoridades sanitárias.
A celebração religiosa, um importante foco de contaminação, também tornou o leste da França a área mais afetada pelo vírus causador doença Covid-19, com 587 casos confirmados dos cerca de 2,3 mil registrados até o momento no país.
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Até o final de fevereiro, a região da Alsácia, no leste da França, não era o centro das atenções do noticiário sobre o coronavírus, mais concentradas no norte do país.
Contaminação foi acelerada na França após o encontro religioso
Bertrand Guay/AFP
A situação mudou drasticamente no início de março, após a celebração religiosa da igreja pentecostal Porta do Sol Cristã, de 17 a 24 de fevereiro, que reuniu cerca de 2 mil pessoas em Mulhouse, localidade do Haut-Rhin, na Alsácia.
Os participantes do encontro evangélico vieram de toda a França, inclusive de territórios ultramarinos, como a Guiana, onde quatro casos de pessoas que estiveram no encontro foram confirmados. Vários também eram de localidades do leste.
“Houve muita confraternização. É um contexto propício para a contaminação”, afirma o médico Jonathan Peterschmitt, filho do pastor da igreja evangélica Porta do Sol Cristã.
“Quando rezamos, podemos nos dar as mãos”, diz a responsável pela comunicação da igreja de Mulhouse, acrescentando que no momento em que ocorreu o encontro religioso as precauções decorrentes do vírus não haviam sido implementadas pelas autoridades.
O pastor da igreja também foi contaminado. Em um comunicado, os organizadores do encontro evangélico ressaltam que nenhum participante tinha sintomas gripais e que naquele momento não havia nenhuma recomendação do governo.
“A França estava no nível 1 (de medidas preventivas), ou seja, o vírus não circulava de maneira geral na população”, diz o comunicado da igreja, acrescentando que só posteriormente as autoridades limitaram o número de pessoas em eventos (atualmente no máximo mil).
Mas no departamento de Haut-Rhin, onde fica Mulhouse, reuniões com mais de 50 pessoas foram proibidas para conter a propagação.
Até o final de fevereiro, o principal foco de contaminação na França era a região do Oise, no norte. No intervalo de apenas uma semana, entre o final de fevereiro e o início de março, o número de casos de coronavírus na França passou de algumas dezenas a mais de mil.
Como o período de incubação pode levar até duas semanas, de acordo com estudos médicos, o evento evangélico representou uma “bomba de efeito retardado que se fragmentou em toda a França”, escreveu o jornal “Le Figaro”.
Avanço exponencial
A França é o segundo país da Europa mais afetado pela epidemia. Segundo os últimos dados, 2.281 pessoas foram contaminadas no país (quase 500 a mais do que no dia anterior) e 48 mortes foram registradas.
O primeiro caso de um participante do evento religioso contaminado pelo coronavírus surgiu em 29 de fevereiro. Nos dias seguintes, o número foi crescendo de forma exponencial.
No dia 6 de março, o secretário de segurança pública do Haut-Rhin, onde fica Mulhouse, declarou que o número de pessoas infectadas no departamento foi multiplicado por oito em apenas 48 horas, passando de dez para pelo menos 81. Em menos de uma semana, o total já é de 359.
A contaminação também foi acelerada na França após o encontro religioso, com casos de participantes que contraíram o vírus em várias regiões, da Normandia à Córsega, no sul.
Um pastor evangélico de Briançon, no sul, que participou do encontro em Mulhouse, foi contaminado. Ele também é diretor do serviço funerário da cidade e esteve em contato com três prefeitos do sul do país, incluindo o de Briançon, que tiveram de suspender sua campanha às eleições municipais (o primeiro turno é no próximo domingo, dia 15) até saberem se contraíram o vírus.
A Covid-19 tem impacto na campanha das eleições municipais. Vários prefeitos cancelaram comícios ou foram obrigados a restringir o número de participantes em até mil, conforme determinação do governo.
As escolas e creches na região do Oise, no norte da França, do Haut-Rhin, no leste, e da Córsega, no sul, foram fechadas até o final de março.
Os hospitais na região leste da França estão saturados e recebem um grande número de ligações de pessoas que querem fazer testes para diagnosticar se houve contaminação.
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Source: MUNDO