A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, durante conferência de imprensa em Wellington nesta segunda-feira (25) — Foto: Nick Perry/AP

Investigação focará no que poderia ou deveria ter sido feito para prevenir o ataque, que deixou 50 mortos no dia 15, e no suspeito e em suas atividades antes do atentado.

Por Agência EFE

A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, anunciou nesta segunda-feira (25) a criação de uma comissão real de investigação para analisar o papel das forças de segurança no atentado de 15 de março, contra duas mesquitas na cidade de Christchurch, que deixou 50 mortos.

“Enquanto os neozelandeses e as comunidades muçulmanas de todo o mundo guardam luto e mostram sua compaixão, também se perguntam com toda a razão do mundo como foi possível que esse atentado terrorista ocorresse aqui”, declarou Ardern em entrevista coletiva.

A investigação se centrará em o que poderia ou deveria ter sido feito para prevenir o ataque, assim como no suspeito e nas suas atividades antes do atentado, segundo a premiê neozelandesa.

A comissão também vai averiguar a atuação do Serviço de Inteligência e Segurança da Nova Zelândia (NZSIS, na sigla em inglês), o Escritório Governamental de Segurança nas Comunicações, a Polícia, as Alfândegas, a Imigração e qualquer departamento relevante do governo, acrescentou a primeira-ministra.

A comissão real de investigação, que normalmente é reservada para os assuntos mais graves de importância pública do país, foi implementada em meio das duras críticas aos corpos de segurança e de inteligência por terem deixado de lado as atividades de pessoas e grupos de extrema direita.

Ardern anunciou no fim de semana que será organizado um ato público de tributo às vítimas do massacre na sexta (29) e afirmou que se reunirá com o representante da Microsoft, Brad Smith, para abordar o papel das redes sociais, devido à transmissão ao vivo do vídeo do atentado.

O massacre na Nova Zelândia obrigou os serviços de inteligência e segurança a repensarem a vigilância de pessoas e grupos de extrema direita no país. “Há muitas perguntas que devem ser respondidas”, afirma o especialista em leis da Universidade de Waikato, Al Gillespie, à agência de notícias EFE. “A lição que se tira é que nenhum país é imune a um ataque da extrema direita”.