Maquinista morreu após choque entre dois trens em São Cristóvão Foto: Fabiano Rocha / Agência O GLOBO

Ele afirma que Rodrigo da Silva Ribeiro foi ‘muito forte, um guerreiro’; funcionário da Supervia deixa dois filhos e esposa

RIO — Após o acidente entre dois trens na estação de São Cristóvão na manhã desta quarta-feira, foram quase 8 horas de aflição de parentes e de muito suor dos bombeiros até que Rodrigo da Silva Ribeiro Assumpção, de 40 anos, maquinista de uma das composições, fosse retirado, ainda com vida, das ferragens. Infelizmente, pouco depois, ele não resistiu aos ferimentos e morreu. O capitão do Corpo de Bombeiros, Rodrigo Barbosa, que recém voltara de Brumadinho com a sua equipe, agora conta o que ele e seus homens viram durante o resgate.

— Toda vez que encontramos uma vítima numa situação dessa, ela nos motiva a dar além do nosso máximo. E foi isso que fizemos. Tentamos sempre dialogar com ele. Atuamos de uma forma bem arriscada, pois as ferragens podiam colapsar em cima de todos nós, a qualquer momento. Tê-lo encontrado com vida foi um milagre, e fizemos o máximo que podíamos dentro das nossas técnicas para executar o socorro. — afirma Barbosa. lembrando que o maquinista foi encontrado com um dos braços e parte da cabeça bastante pressionados.

— No momento que conseguimos soltá-lo, ele ainda estava com batimentos e respiração. Nossa equipe técnica e os médicos trabalham em parceria e conseguimos tirá-lo de uma forma até divina — completou o oficial do Grupamento de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiros.

O militar ressalta a força e a vontade de viver do maquinista durante toda a ação, e detalha os momentos finais da retirada da vítima.

— Ele foi muito forte. Um guerreiro. Ao longo de todo o trabalho, ele sempre pedia para retira-lo logo dali. O mais complicado foi a parte final, quando percebemos que ele estava menos responsivo. Fizemos o possível. Nos solidarizamos com a família — conclui.

Cerca de 60 bombeiros de 8 quarteis participaram de toda a ação.